O comportamento de Jesus, considerado o Messias, bem como o dos seus discípulos, surpreende não só os , mas também os discípulos de João Batista. Partilhar uma refeição com pessoas consideradas indesejáveis e não observar o jejum prescrito pela lei judaica parecem estar em total contradição com uma vida religiosa exemplar.
Lucas aproveitou a pergunta colocada pelos durante o banquete oferecido por Mateus para reunir estas duas questões. Estes discípulos de João Batista, provavelmente originários da região de Betânia, situada do outro lado do Jordão, a cerca de cinco dias de caminho, manifestam o seu interesse por Jesus.
Estes discípulos do Profeta, que então está preso e talvez até já tenha morrido, ficam muito surpreendidos com a vida do Messias Jesus. Com efeito, ele come e bebe com qualquer pessoa, o que João Batista nunca teria feito. Notamos que, nesse momento, continuam a constituir um grupo: «os discípulos de João Batista». Daí deduzimos que o desaparecimento do seu mestre não dispersou os seus fiéis. Neste contexto, a não observância do jejum, regulamentado pela lei judaica, suscita muitas perguntas e choca visivelmente estes homens. Por que razão os discípulos deste novo Mestre não cumprem esta regra? A pergunta não é feita para apanhar Jesus em falta, como faziam regularmente os , mas para compreender.
A resposta, surpreendente, parece difícil de interpretar e de aceitar para estes discípulos de João Batista. Jesus apresenta-se como o noivo que preside no meio dos seus convidados. Nestas condições, o jejum parece totalmente deslocado.
Mas o que significa exatamente esta metáfora? A continuação deste relato ajudar-nos-á a descobrir a mensagem do Mestre. A relação entre o homem e Deus, tal como é descrita no judaísmo, muda radicalmente com a vinda de Jesus.
Todas as prescrições da lei de Moisés chegam agora ao seu termo. Uma nova vida, baseada num compromisso voluntário, sucede a esta série de obrigações. Voltamos a encontrar aqui o ensinamento dado à (PER046) e a Nicodemos (PER041).
Este texto permite-nos também descobrir a grande diferença entre o judaísmo e o cristianismo. A própria natureza da relação entre o homem e o seu Deus muda. Os ritos dão agora lugar a uma relação pessoal ao nível do coração, sede dos sentimentos, e do espírito do crente.
Esta mensagem constitui uma grande mudança para estes discípulos de João. Apesar de tudo, constatam que nunca um homem, nem mesmo o seu mestre, falou como Jesus. Não estão perante um visionário; pelo contrário, as palavras e a argumentação são coerentes e até impressionantes.
Ao precisar que «o noivo lhes será tirado», Jesus já anuncia a sua morte. A partir desse momento, será útil e até necessário jejuar.