As palavras de Jesus, o Messias, declarando: «Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isso aconteça» suscitam, há muito tempo, numerosas indagações...
Esta resposta se apoia em toda a nossa série dedicada à cronologia da vida de Jesus, o Messias, estabelecida em particular a partir da profecia das setenta semanas de Daniel (Daniel 9.24-27).
A demonstração completa da nossa tese sobre a data da morte do Messias é ali desenvolvida em detalhe, por meio de oito estudos complementares que integram dados bíblicos, históricos e de calendário.
Para evitar longas repetições, essa argumentação não será, portanto, retomada integralmente na presente resposta.
As palavras de Jesus, o Messias, declarando: «Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isso aconteça» (Mateus 24.34 ; Marcos 13.30 ; Lucas 21.32) suscitam, há muito tempo, numerosas indagações. Um amigo nos interpelou recentemente a esse respeito, desejando obter esclarecimentos sobre o sentido exato dessa afirmação enigmática.
deram origem a numerosas interpretações ao longo da história da exegese bíblica. A principal dificuldade vem do fato de que o discurso parece associar:
A questão é, de fato, importante: de que geração Jesus fala exatamente? Trata-se de seus contemporâneos, da geração que viverá os acontecimentos do fim dos tempos, ou de uma realidade mais simbólica? Se essa palavra diz respeito aos últimos tempos, qual acontecimento deve ser considerado o ponto de partida dessa geração? Por fim, quantos anos representa uma geração na linguagem bíblica?
Essas indagações são tanto mais legítimas quanto o discurso profético de Jesus entrelaça vários temas estreitamente ligados: a destruição do Templo de Jerusalém (Mateus 24.1-2), os sinais que anunciam o fim (Lucas 21.25-28) e a vinda do Filho do Homem em sua glória (Mateus 24.30). Essa sobreposição de acontecimentos próximos e distantes torna, por vezes, delicada a interpretação.
Nosso objetivo, nesta introdução, não é entrar imediatamente numa demonstração detalhada nem num debate contraditório, mas simplesmente lançar as bases da reflexão. Os capítulos seguintes serão dedicados a um estudo aprofundado deste versículo e das diferentes interpretações propostas ao longo da história da exegese bíblica. Examinaremos o contexto do discurso, o sentido do termo grego traduzido por «geração», bem como as implicações cronológicas e proféticas dessa declaração de Jesus, o Messias.
I. O contexto deste versículo
O versículo: «Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isso aconteça» aparece no quadro do grande discurso profético pronunciado por Jesus, o Messias, no . Para compreender bem essa declaração, é indispensável examinar o seu contexto imediato e os acontecimentos que conduzem a essa palavra.
O relato começa quando Jesus sai do Templo de Jerusalém. Jesus e seus discípulos encontram-se no , em frente de Jerusalém (Mateus 24.3, Marcos 13.3, Lucas 21.37).
Os discípulos chamam então a sua atenção para a magnificência dos edifícios (Mateus 24.1 ; Marcos 13.1 ; Lucas 21.5). Em resposta, Jesus anuncia um acontecimento avassalador:
Mateus 24.2 (Bíblia Livre) :
Mas Jesus lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo, que não será deixada aqui pedra sobre pedra, que não seja derrubada.
Essa profecia sobre a destruição do Templo inquieta os discípulos. Chegando ao , em frente do Templo (Marcos 13.3), eles interrogam Jesus em particular:
«Dize-nos, quando sucederão estas coisas?»
«Qual será o sinal da tua vinda?»
«E da consumação do século?» (Mateus 24.3).
Lucas formula a pergunta de maneira ligeiramente diferente, dando mais ênfase a Jerusalém e aos acontecimentos históricos próximos (Lucas 21.7).
A partir desse momento, Jesus desenvolve um longo discurso profético no qual menciona:
os falsos cristos e os enganos religiosos (Mateus 24.4-5),
as guerras, as fomes e os terremotos (Mateus 24.6-8),
as perseguições aos crentes (Mateus 24.9-13),
a proclamação do Evangelho (Mateus 24.14),
a abominação da desolação anunciada por Daniel (Mateus 24.15 ; Daniel 9.27),
a angústia de Jerusalém (Lucas 21.20-24),
os sinais cósmicos (Lucas 21.25-26),
e, por fim, a vinda do Filho do Homem em glória (Mateus 24.29-31).
É depois de ter dado a da , símbolo que permite reconhecer a aproximação dos acontecimentos anunciados (Mateus 24.32-33 ; Marcos 13.28-29 ; Lucas 21.29-31), que Jesus faz esta declaração:
O sentido imediato da parábola
Mateus 24.34 (Bíblia Livre) :
Em verdade vos digo que esta geração não passará, até que todas estas coisas aconteçam.
O contexto mostra, portanto, que essa frase está diretamente ligada aos sinais proféticos descritos anteriormente. Toda a dificuldade consiste então em determinar:
a que se refere exatamente «esta geração»;
e quais acontecimentos estão incluídos na expressão «tudo isso».
O discurso parece, de fato, misturar acontecimentos próximos, como a destruição de Jerusalém no ano 70, e acontecimentos escatológicos mais distantes, ligados ao retorno glorioso de Jesus, o Messias (Mateus 24.29-31). É precisamente essa articulação entre cumprimento próximo e cumprimento futuro que explica a diversidade de interpretações propostas pelos comentaristas ao longo da história.
II. As diversas interpretações
Trata-se provavelmente da interpretação mais antiga e mais difundida.
Nessa leitura, «esta geração» designa os contemporâneos de Jesus, isto é, as pessoas que viviam no momento em que ele pronuncia essas palavras. A palavra grega genea é frequentemente usada nesse sentido nos Evangelhos:
«geração má e adúltera» (Mateus 12.39),
«esta geração» (Lucas 11.29).
Selon cette approche, une partie importante des prophéties de s'accomplit avant la disparition de cette génération, notamment :
a destruição do Templo,
o cerco de Jerusalém,
as perturbações que precederam o ano 70.
Essa interpretação se apoia no fato de que Jerusalém e o Templo foram efetivamente destruídos cerca de quarenta anos após as palavras de Jesus.
No entanto, essa leitura levanta uma dificuldade: certos elementos do discurso parecem ultrapassar amplamente os acontecimentos do ano 70, em particular:
os sinais cósmicos (Mateus 24.29),
a vinda visível do Filho do Homem (Mateus 24.30).
Alguns propõem então um duplo cumprimento: um cumprimento próximo no ano 70 e um cumprimento final ainda futuro.
2. O preterismo completo
Uma variante mais radical da interpretação anterior é o preterismo completo. Segundo essa escola de pensamento, todo o discurso do , inclusive os sinais cósmicos e a vinda do Filho do Homem, cumpriu-se de maneira simbólica nos acontecimentos do ano 70.
Nessa leitura:
os sinais cósmicos representam a subversão da antiga ordem,
a «vinda» do Filho do Homem designa o seu juízo sobre Jerusalém e não um retorno físico visível,
o «fim do século» (sunteleia tou aiōnos) significa o fim da era do Templo e da antiga aliança.
Os defensores dessa abordagem se apoiam, em particular, na linguagem profética do Antigo Testamento, em que expressões semelhantes descrevem juízos históricos (Isaías 13.10 ; Ezequiel 32.7).
Essa interpretação tem o mérito de levar a sério o caráter imediato da expressão «esta geração». No entanto, ela esbarra em várias dificuldades:
a tradição cristã entendeu majoritariamente o retorno de Cristo como um acontecimento futuro e visível (Atos 1.11 ; 1 Tessalonicenses 4.16-17),
certos elementos do discurso dificilmente se reduzem a uma realidade puramente simbólica.
Não adotamos essa leitura, mas ela merece ser mencionada por preocupação de exaustividade.
3. A geração dos últimos tempos
Nessa segunda interpretação, «esta geração» designa a geração que verá surgir os sinais proféticos anunciados por Jesus.
O raciocínio se baseia, em particular, na da :
Mateus 24.33 (Bíblia Livre) :
Assim também vós, quando virdes todas estas coisas, sabei que já está perto, às portas.
Assim, Jesus não falaria de seus contemporâneos imediatos, mas da geração que viver no momento em que os acontecimentos escatológicos realmente começarem.
Nessa perspectiva:
o ponto de partida seria o surgimento dos sinais,
e essa geração veria o cumprimento completo das profecias.
Essa leitura é frequente em certos meios evangélicos e dispensacionalistas.
No entanto, ela supõe que a expressão «esta geração» possa designar uma geração futura ainda desconhecida no momento em que Jesus fala. Essa interpretação continua sendo discutida no plano linguístico.
4. A palavra «geração» no sentido de «povo» ou «raça»
Alguns comentaristas propõem traduzir a palavra grega genea não por «geração» no sentido cronológico, mas por:
«povo»,
«raça»,
ou «linhagem».
Nessa leitura, Jesus anunciaria que o povo judeu não desaparecerá antes do cumprimento de todas as profecias.
Essa interpretação procura resolver as dificuldades cronológicas da passagem. Ela ressalta que o povo de Israel de fato sobreviveu ao longo dos séculos, apesar das perseguições e das dispersões (Jeremias 31.35-37).
No entanto, essa compreensão continua sendo discutida porque, nos Evangelhos, a palavra genea designa, na maioria das vezes, os contemporâneos de uma época, e não um povo inteiro.
5. Uma geração caracterizada moralmente
Outros exegetas consideram que Jesus fala de uma categoria espiritual ou moral:
uma geração incrédula,
rebelde,
oposta a Deus.
A expressão «esta geração» designaria então uma humanidade marcada pela incredulidade até o cumprimento final dos acontecimentos proféticos.
Essa ideia se apoia em várias passagens nas quais Jesus condena:
«uma geração má» (Mateus 12.45),
«uma geração incrédula e perversa» (Mateus 17.17).
Nesse caso, Jesus anunciaria a permanência dessa oposição espiritual até o fim.
6. Uma combinação de vários níveis de cumprimento
Muitos pesquisadores adotam hoje uma abordagem mista.
Segundo essa leitura:
uma parte das profecias diz respeito diretamente a Jerusalém e ao Templo,
ao passo que outra parte visa os acontecimentos que precedem o retorno final do Messias.
O discurso funcionaria então como uma profecia de vários horizontes:
1- um cumprimento histórico próximo,
2- depois um cumprimento escatológico mais distante.
Essa abordagem procura explicar por que certos detalhes parecem corresponder perfeitamente ao ano 70, ao passo que outros parecem ainda futuros.
Uma questão ainda debatida
O versículo continua difícil porque Jesus associa num mesmo discurso:
realidades históricas,
advertências espirituais,
e anúncios proféticos sobre o fim.
A compreensão da expressão «esta geração» depende, portanto, em grande parte:
da maneira como se estrutura o discurso profético,
do sentido dado à palavra genea,
e da articulação entre cumprimento próximo e cumprimento futuro.
III. A nossa interpretação
Os detalhes cronológicos permanecem parcialmente velados no discurso de Jesus, o Messias, no . No entanto, esse discurso apresenta uma estrutura comparável à observada na profecia das setenta semanas de Daniel (Daniel 9.24-27). Com efeito, Daniel menciona sucessivamente acontecimentos ligados ao Messias e depois outros associados a um governante futuro hostil a Deus. Já abordamos essa questão no estudo CHR001 dedicado ao profeta Daniel.
Em seu discurso no , Jesus, o Messias, associa igualmente acontecimentos contemporâneos e relativamente próximos a outros bem mais distantes. Parece, portanto, concebível que um primeiro cumprimento diga respeito aos acontecimentos marcantes do ano 70 d.C., quando Tito, filho do imperador Vespasiano, destruiu Jerusalém e o seu Templo conforme as palavras proféticas (Lucas 21.20-24). Nessa perspectiva, o «príncipe que há de vir», mencionado por Daniel (Daniel 9.26), poderia encontrar um primeiro cumprimento histórico na pessoa de Tito.
No entanto, certas declarações de Jesus parecem ultrapassar o âmbito dos acontecimentos do século I, notadamente quando ele menciona os sinais celestes e a vinda gloriosa do Filho do Homem (Mateus 24.29-31). Nessas condições, entendemos que o discurso possui também uma dimensão escatológica ainda futura. Como na profecia de Daniel, Jesus não detalha o período intermediário correspondente à era da Igreja.
Eis as principais interpretações propostas.
1. A geração contemporânea de Jesus
Nessa abordagem, a da (Mateus 24.32-34) poderia ser entendida como uma imagem do restabelecimento nacional de Israel. Alguns intérpretes veem assim na proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, um acontecimento profético de grande importância, correspondente à « que reverdece». Essa interpretação é por vezes associada às palavras do profeta:
Isaías 66.8 (Bíblia Livre) :
Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisa semelhante? Poderia uma terra gerar filho em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas logo que Sião esteve de parto, já teve o nascimento de seus filhos.
Precisemos imediatamente os limites dessa aproximação. O contexto de Isaías 66 diz respeito à restauração final de Sião e ao nascimento espiritual de um povo no quadro do reino messiânico. A aplicação direta à criação de um Estado político moderno em 1948 constitui, portanto, uma leitura possível, mas não uma evidência profética. Outros comentaristas consideram que o cumprimento de Isaías 66.8 permanece futuro ou que se realizará num contexto espiritual diferente.
Da mesma forma, o texto evangélico não diz explicitamente que a representa Israel. Essa identificação se baseia num conjunto de indícios (o uso simbólico da em outras partes da Escritura, o contexto do discurso), mas continua sendo uma interpretação, e não uma afirmação direta do texto.
Essa leitura levanta várias outras indagações. Se a «geração» mencionada por Jesus designa as pessoas já vivas em 1948, torna-se necessário definir o que representa exatamente uma geração na linguagem bíblica. As Escrituras usam durações variáveis, às vezes próximas de quarenta anos (Números 32.13), às vezes de setenta ou oitenta anos (Salmos 90.10). Ora, até hoje já se passaram mais de setenta e oito anos desde a proclamação do Estado de Israel.
Várias questões permanecem em aberto:
Qual acontecimento constitui precisamente o «brotar»? A proclamação do Estado (1948)? A reunificação de Jerusalém (1967)? Outro momento?
Quem faz parte de «esta geração»? As pessoas nascidas antes de 1948? As que já tinham idade de razão? As testemunhas conscientes do acontecimento?
Se adotarmos 80 anos como limite máximo de uma geração, o prazo estaria quase esgotado. Isso não constitui uma forma de predição com data?
Essas incertezas nos convidam à prudência. Se essa interpretação estiver correta, seria concebível que o cumprimento final dos acontecimentos anunciados por Jesus ocorresse num futuro próximo. Mas não podemos afirmá-lo com certeza.
O próprio Jesus, o Messias, lembra que ninguém conhece precisamente o dia nem a hora desses acontecimentos (Mateus 24.36). Nosso objetivo não é, portanto, fixar uma data, mas examinar uma interpretação que nos parece coerente com o conjunto dos dados proféticos, reconhecendo honestamente os seus limites.
IV. A parábola da figueira
A da aparece imediatamente antes da declaração:
Ela desempenha, portanto, um papel essencial na interpretação do discurso profético de Jesus, o Messias.
Em seu sentido mais direto, a ilustra simplesmente a ideia dos sinais que anunciam.
Assim como as folhas novas da anunciam a chegada próxima do verão, os acontecimentos descritos anteriormente devem sinalizar a aproximação do cumprimento profético.
A ênfase principal recai sobre:
a observação dos sinais,
e a certeza da aproximação dos acontecimentos anunciados.
O paralelo é simples: folhas → verão próximo; sinais proféticos → cumprimento próximo.
Nesse quadro, Jesus convida os seus discípulos a discernir os tempos (Lucas 21.28-31).
1. A figueira como simples ilustração natural
Muitos comentaristas consideram que a não tem aqui nenhum valor simbólico particular.
Jesus estaria simplesmente usando uma imagem familiar na Palestina: a brota na primavera, e esse fenômeno anuncia naturalmente o verão.
Essa leitura continua sendo a mais prudente do ponto de vista exegético. Ela evita transformar cada elemento da num símbolo profético complexo.
Nessa perspectiva, o assunto principal não é Israel, mas o reconhecimento dos sinais. Lucas parece, aliás, ir nessa direção quando amplia a imagem:
Lucas 21.29 (Bíblia Livre) :
E disse-lhes uma parábola: Olhai a figueira, e todas as árvores;
Essa precisão («e todas as árvores») mostra que o ensino pode ir além da apenas.
2. A figueira como possível símbolo de Israel
Outros intérpretes veem na uma representação simbólica de Israel. Essa ideia se apoia em várias passagens do Antigo Testamento nas quais Israel é comparado a uma ou a figos (Oseias 9.10, Joel 1.7, Jeremias 24.1-10).
Alguns aproximam também essa da maldição da estéril (Mateus 21.18-19), possível símbolo do juízo sobre o Israel incrédulo.
Em certas interpretações modernas, sobretudo dispensacionalistas, o «reverdecer» da representaria a restauração nacional de Israel, por vezes associada à criação do Estado de Israel em 1948.
Toutefois, cette identification n'est pas explicite dans le texte. Le peut symboliser Israël dans d'autres contextes bibliques, mais rien dans ne l'affirme directement. L'ajout de Luc (« et tous les arbres ») affaiblit d'ailleurs cette lecture : si le représentait Israël de manière univoque, pourquoi ajouter les autres arbres ?
Alguns respondem que a conservaria o seu valor simbólico tradicional associado a Israel, ao passo que «todas as árvores» evocariam as demais nações. Nas Escrituras, as árvores servem por vezes para representar simbolicamente reinos ou povos (Ezequiel 31.3-6 ; Daniel 4.13-25). Nessa perspectiva, Jesus não falaria apenas do despertar de Israel, mas também de um movimento que atinge o conjunto das nações no contexto dos tempos do fim.
Essa interpretação permitiria explicar por que os acontecimentos escatológicos parecem dizer respeito simultaneamente a Israel, aos povos da terra e às convulsões mundiais anunciadas pelos profetas (Zacarias 12.2-3 ; Lucas 21.25-26).
No entanto, essa leitura continua sendo interpretativa. Outros exegetas consideram que Lucas acrescenta simplesmente «todas as árvores» para sublinhar o caráter universal e facilmente compreensível da ilustração.
3. Uma exortação à vigilância
A se insere também num conjunto de exortações à vigilância.
Depois dessa imagem, Jesus insiste em:
a necessidade de vigiar (Mateus 24.42),
a incerteza quanto ao dia exato (Mateus 24.36),
a fidelidade dos servos na espera do retorno do senhor (Mateus 24.45-51).
Assim, o objetivo do discurso não é apenas cronológico ou profético, mas também espiritual.
Os discípulos devem reconhecer os sinais, manter-se prontos e perseverar na fé.
O vínculo com «esta geração»
A da prepara diretamente a frase seguinte:
«Quando virdes todas estas coisas…» (Mateus 24.33)
Depois:
«Esta geração não passará…» (Mateus 24.34)
O vínculo lógico parece ser:
1- surgimento dos sinais,
2- reconhecimento da proximidade do cumprimento,
3- cumprimento antes do desaparecimento de «esta geração».
Toda a dificuldade consiste então em determinar quais são exatamente «todas estas coisas» e de qual geração se trata.
É precisamente isso que explica as numerosas interpretações dessa passagem profética.
V. Argumentos bíblicos a favor da nossa leitura
1- O discurso de Jesus possui vários horizontes proféticos
O discurso do mistura manifestamente acontecimentos próximos com outros bem mais distantes.
A- A destruição do Templo diz respeito claramente ao século I
O discurso começa com o anúncio:
Mateus 24.2 (Bíblia Livre) :
Mas Jesus lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo, que não será deixada aqui pedra sobre pedra, que não seja derrubada.
Em seguida, Jesus, o Messias, menciona vários acontecimentos precisos: Jerusalém cercada por exércitos (Lucas 21.20), a necessidade de fugir rapidamente da Judeia (Mateus 24.16) e um período de grande angústia. Esses elementos correspondem fortemente ao contexto da guerra judaica contra entre os anos 66 e 70 d.C.
Essas informações sustentam a ideia de um primeiro cumprimento histórico das palavras de Jesus, durante o conflito que levou à destruição de Jerusalém e do seu Templo no ano 70 por Tito.
B- Outros elementos parecem ultrapassar o ano 70
Várias passagens parecem dificilmente limitáveis ao cerco de Jerusalém:
sinais cósmicos (Mateus 24.29),
aparecimento visível do Filho do Homem (Mateus 24.30),
reunião dos eleitos (Mateus 24.31).
Esses elementos se assemelham mais às profecias escatológicas de Daniel 7.13-14 ou aos textos do Apocalipse.
Jesus fala, portanto, segundo a nossa interpretação, ao mesmo tempo de um juízo histórico próximo e de um cumprimento final mais distante. Como Daniel, ele não menciona o período intermediário da Igreja.
2- Daniel já apresenta uma estrutura profética semelhante
Encontramos um excelente paralelo com Daniel 9.26-27, em que vários acontecimentos parecem fundidos:
a rejeição do Messias,
a destruição de Jerusalém,
as ações de um governante futuro hostil a Deus.
O texto passa do Messias cortado para o povo de um príncipe que há de vir, depois para uma aliança final e para a abominação. Isso cria um efeito de «telescopagem profética».
Jesus parece retomar essa mesma lógica profética em seu discurso.
3- A figueira pode simbolizar Israel
A- Israel é por vezes comparado a uma figueira
Exemplos: Oseias 9.10, Joel 1.7, Jeremias 24.1-10.
Cela permet de dire que le peut posséder une valeur symbolique liée à Israël. Mais rappelons que cette identification n'est pas explicite dans .
B- Jesus já tinha usado a figueira num contexto espiritual
A estéril (Mateus 21.18-19) é frequentemente interpretada como uma imagem do juízo sobre o Israel incrédulo.
Isso pode reforçar a ideia de que a em Mateus 24.32-35 possui também um alcance simbólico, mas sem certeza.
4- Israel devia conhecer um restabelecimento futuro
Na leitura que propomos, a que volta a florescer simbolizaria a nação de Israel proclamada em 14 de maio de 1948. Eis os argumentos bíblicos que sustentam essa leitura.
A- Profecias de retorno e de restauração
Ezequiel 36–37: retorno à terra, renascimento nacional, vale dos ossos secos.
Amós 9.14-15 (Bíblia Livre) :
E restaurarei meu povo Isarael de seu infortúnio; então reconstruirão as cidades assoladas, e nelas habitarão; e plantarão vinhas, e beberão o vinho delas; e farão jardins, e comerão o fruto deles.Pois eu os plantarei em sua terra, e nunca mais serão arrancados de sua terra, que eu lhes dei, diz o SENHOR, teu Deus.
Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisa semelhante? Poderia uma terra gerar filho em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas logo que Sião esteve de parto, já teve o nascimento de seus filhos.
Este último texto é particularmente invocado nessa perspectiva. No entanto, como observamos, o seu contexto imediato diz respeito à restauração final de Sião no quadro do reino messiânico. A aplicação a 1948 continua sendo uma interpretação possível, e não uma correspondência direta e certa.
5- O retorno de Israel precede certos acontecimentos do fim
Em várias profecias, Israel está de novo presente em sua terra antes dos conflitos finais.
Exemplos: Zacarias 12.1-13, Ezequiel 38-39.
Isso pode sustentar a ideia de que o restabelecimento nacional de Israel possui importância profética.
6- A noção de geração pode ser flexível
Nessa interpretação, passaram-se mais de 78 anos desde a proclamação do Estado de Israel. O significado do termo «geração» exige, portanto, uma explicação.
A- Uma geração nem sempre tem uma duração fixa
Exemplos:
40 anos no deserto (Números 32.13),
70–80 anos (Salmos 90.10).
Jesus talvez não dê uma duração matemática estrita ao termo que emprega.
B- Jesus proíbe as datações precisas
É essencial lembrar esse ponto para evitar qualquer confusão.
Mateus 24.36 (Bíblia Livre) :
Porém daquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, a não ser meu Pai somente.
Isso confirma que ninguém conhece essa data, ainda que seja possível discernir um período. Não procuramos fixar um calendário, mas propor uma leitura coerente dos textos proféticos.
Conclusão
O versículo «Esta geração não passará sem que tudo isso aconteça» continua sendo uma das passagens mais debatidas do discurso profético de Jesus. Ao término deste estudo, várias constatações se impõem.
O que o texto afirma claramente:
O discurso do associa acontecimentos próximos (destruição do Templo, cerco de Jerusalém) e acontecimentos mais distantes (sinais cósmicos, vinda gloriosa do Filho do Homem).
A estrutura desse discurso apresenta semelhanças com a profecia de Daniel 9, na qual diferentes horizontes temporais se sobrepõem.
Jesus proíbe formalmente qualquer tentativa de fixar o dia e a hora de seu retorno.
O que o texto permite inferir:
Le peut symboliser Israël, comme dans d'autres passages de l'Ancien Testament.
A da figueira poderia ter um alcance profético ligado ao restabelecimento nacional de Israel.
O que pertence à interpretação:
A identificação do «brotar da figueira» com a proclamação do Estado de Israel em 1948 constitui uma leitura possível, mas não uma evidência textual.
O cálculo de uma geração a partir de 1948 se baseia em várias hipóteses não verificáveis (duração exata de uma geração, ponto de partida preciso, critérios de pertencimento a essa geração).
Nossa interpretação privilegia uma leitura escatológica da passagem, na qual o restabelecimento de Israel sinalizaria a aproximação dos acontecimentos finais. Essa leitura nos parece coerente com o conjunto dos dados proféticos estudados. No entanto, reconhecemos que ela comporta incertezas e que não pode constituir uma predição com data.
Jesus, o Messias, quis deixar os seus discípulos numa atitude de vigilância ativa, nem na indiferença nem na especulação cronológica. É nesse espírito que propomos esta reflexão: não para fixar datas, mas para encorajar o discernimento dos tempos e a fidelidade na espera.
Um título, um personagem, um lugar, uma referência («Lucas 15»)…
abre em uma nova janela
Referência bíblica
INF170
Nota informativa
INF170 - Análise de Mateus 24.3-51
Análise de Mateus 24.3-51
Eis uma análise exegética, versículo por versículo, de Mateus 24.3-51.
Mateus 24.3 Os discípulos interrogam o Messias Jesus em particular sobre três acontecimentos: a destruição do Templo, a sua vinda e o fim do mundo. A pergunta deles revela uma confusão entre acontecimentos históricos e escatológicos, que o Messias Jesus esclarecerá progressivamente.
Mateus 24.4-5 O Messias Jesus começa com uma advertência contra os falsos messias. Insiste no perigo do engano espiritual: muitos virão em seu nome, pretendendo ser o Cristo, e enganarão a muitos.
Mateus 24.6-8 Ele anuncia perturbações mundiais, guerras, fomes, terremotos, mas esclarece que estes são apenas “o princípio das dores”, expressão que evoca as dores do parto: um sofrimento que precede um nascimento.
Mateus 24.9-13 Os discípulos serão perseguidos, traídos, odiados. O amor esfriará, e muitos cairão. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo. A fidelidade na provação torna-se o critério da salvação.
Mateus 24.14 O Evangelho do Reino será proclamado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações. Este versículo introduz uma perspectiva missionária e universal, ressaltando que a história humana está orientada para uma consumação divina.
Mateus 24.15-22 O Messias Jesus evoca “a abominação da desolação” (referência a Daniel), sinal de uma virada dramática. Chama à fuga imediata, sem voltar atrás. A urgência e a gravidade do momento são ressaltadas, sobretudo para os mais vulneráveis.
Mateus 24.23-26 Ele volta ao tema dos falsos messias e falsos profetas, que farão até prodígios. O aviso é claro: não confiar nas aparências nem nos boatos, mas permanecer centrado na verdade revelada.
Mateus 24.27 A vinda do Filho do Homem será como o relâmpago: repentina, visível, universal. Não será oculta nem localizada, mas incontestável.
Mateus 24.28 Uma imagem enigmática: “Onde estiver o cadáver, ali se ajuntarão os abutres.” Evoca provavelmente o juízo, a corrupção ou a revelação inevitável do mal.
Mateus 24.29-31 Depois de uma grande tribulação, sinais cósmicos precederão a vinda do Filho do Homem. Ele virá com poder e glória, e os anjos reunirão os eleitos. É a consumação escatológica esperada.
Mateus 24.32-35 O Messias Jesus usa a imagem da figueira: quando os seus ramos ficam tenros, o verão está próximo. Da mesma forma, os sinais anunciados indicam que o fim está próximo. Ele afirma que as suas palavras não passarão, ressaltando a sua autoridade eterna.
Mateus 24.36 O dia e a hora são desconhecidos, até mesmo do Filho. Isso ressalta a soberania do Pai e chama à humildade e à vigilância.
Mateus 24.37-39 O Messias Jesus compara a sua volta aos dias de Noé: as pessoas viviam normalmente, sem suspeitar do juízo iminente. A despreocupação é o principal perigo.
Mateus 24.40-41 Duas pessoas lado a lado, uma levada, a outra deixada. Essa imagem de separação ressalta o caráter pessoal e imprevisível do juízo.
Mateus 24.42-44 O chamado a vigiar é repetido. Como o dono da casa que ignora a hora do ladrão, o discípulo deve estar pronto a todo momento. A vigilância torna-se uma postura espiritual permanente.
Mateus 24.45-51 O Messias Jesus conclui com uma parábola: o servo fiel é aquele que age com sabedoria na ausência do senhor. O servo infiel, que abusa de seu poder, será surpreendido e julgado severamente. O ensino é claro: a fidelidade na espera é a chave do Reino.
INF181
Nota informativa
INF181 - Parábola ou metáfora
Parábola ou metáfora
O número de parábolas nos Evangelhos varia consideravelmente conforme os diferentes pesquisadores. Algumas são definidas diretamente no texto, onde vemos que o Messias Jesus anuncia uma parábola. No entanto, muitas outras são mais difíceis de classificar.
Eis, portanto, uma síntese clara das diferenças entre parábola, metáfora e imagem, e alegoria, com exemplos bíblicos para ilustrar:
Parábola: relato simbólico com finalidade moral ou espiritual
Definição: Uma parábola é uma história curta e narrativa, muitas vezes fictícia, que ilustra uma verdade moral, espiritual ou teológica.
Estrutura: Comporta personagens, um enredo e, às vezes, um desfecho inesperado ou uma reviravolta.
Função : Convida a uma interpretação, muitas vezes indireta, e provoca uma reflexão ou uma conversão.
Exemplos: O semeador (Mateus 13.1-23), O bom samaritano (Lucas 10.25-37), O filho pródigo (Lucas 15.11-32)
Uma parábola é um recurso narrativo que ao mesmo tempo oculta e revela; exige uma escuta ativa e uma interpretação.
Metáfora: figura de linguagem fundada em uma analogia implícita
Definição: Uma metáfora é a transposição de um termo para outro campo semântico, sem nenhum instrumento de comparação.
Estrutura: É breve, muitas vezes contida em uma frase ou em uma expressão.
Função: Esclarece uma realidade abstrata por meio de uma imagem concreta, mas sem narrativa.
Exemplos: «Eu sou a luz do mundo» (João 8.12), «Vós sois o sal da terra» (Mateus 5.13)
A metáfora condensa uma verdade em uma imagem marcante, mas não conta uma história.
Imagem: termo genérico para toda representação figurada
Definição: A imagem é um termo abrangente que designa toda representação figurada, seja ela narrativa (parábola), estilística (metáfora) ou visual.
Função: Serve para tornar visível o invisível, para encarnar o abstrato.
Exemplos: O cordeiro (símbolo de Cristo), A rocha (símbolo de Deus nos Salmos).
A imagem é o terreno comum das parábolas e das metáforas; é a matéria-prima de ambas.
Em resumo:
A parábola é um relato simbólico, geralmente longo, que visa ensinar ou provocar uma reflexão. Toma a forma de uma história, muitas vezes com personagens e um enredo. Um exemplo bíblico emblemático é o do filho pródigo (Lucas 15.11-32).
A metáfora é uma figura de linguagem breve, fundada em uma analogia implícita. Serve para esclarecer uma realidade ou impressionar a mente com uma imagem forte, sem passar por uma narrativa. Por exemplo: «Eu sou a videira» (João 15.1 e João 15.5).
A imagem, por sua vez, é um conceito mais geral. Sua extensão é variável e sua função é representar ou encarnar uma realidade abstrata. Pode ser visual, poética ou simbólica. Pensa-se aqui em figuras como o cordeiro ou a rocha, frequentemente usadas nas Escrituras.
INF205
Nota informativa
INF205 - A figueira, uma escolha sem importância?
A figueira, uma escolha sem importância?
Não, a escolha da figueira nesta parábola não é sem importância. O Messias Jesus nunca seleciona suas imagens ao acaso, sobretudo quando ensina sobre o Reino de Deus.
Por que a figueira?
Uma árvore familiar na Palestina. A figueira era muito comum na região. Os ouvintes de Jesus conheciam bem o seu ciclo natural: ela perde as folhas no inverno e começa a brotar na primavera, anunciando a chegada do verão. É, portanto, uma imagem acessível e expressiva.
Um indicador sazonal confiável: Ao contrário de outras árvores, a figueira é um bom marco para a mudança de estação. O Messias Jesus a utiliza para ilustrar a clareza dos sinais: assim como se sabe que o verão se aproxima ao ver suas folhas, é possível discernir a proximidade do Reino observando os acontecimentos proféticos.
Um forte simbolismo bíblico: No Antigo Testamento, a figueira é frequentemente associada a Israel, à bênção ou ao juízo:
Miqueias 4.4 fala de cada um sentado debaixo da sua figueira, símbolo de paz.
Jeremias 8.13 evoca uma figueira sem fruto, sinal de rejeição.
O próprio Jesus amaldiçoa uma figueira estéril em Marcos 11.12-14, como imagem da falta de fé.
Um chamado à vigilância. A figueira que brota é um sinal visível, mas é preciso saber interpretá-lo. Jesus convida seus discípulos a não serem cegos para os sinais espirituais, como não seriam para os sinais naturais.
Em resumo
A figueira é escolhida por seu valor pedagógico, seu simbolismo bíblico e sua função de marco sazonal. Ela encarna ao mesmo tempo a clareza dos sinais, a necessidade do discernimento e a urgência da preparação. Nada é deixado ao acaso nesta parábola; cada detalhe serve para despertar a consciência espiritual.
INF115
Nota informativa
INF115 - A figueira e Israel
A figueira e Israel.
A figueira é uma planta significativa na cultura e na história de Israel e aparece com frequência na Bíblia como símbolo e metáfora. Eis alguns aspectos importantes da figueira em relação a Israel:
Simbolismo da figueira na Bíblia
Prosperidade e abundância:
A figueira é frequentemente usada para simbolizar a prosperidade e a abundância. No Antigo Testamento, a imagem de um homem sentado debaixo da sua figueira é uma metáfora da paz e da segurança (1 Reis 4.25; Miqueias 4.4).
Juízo e desolação:
A figueira também é usada como símbolo de juízo e desolação quando está seca ou estéril. Por exemplo, em Jeremias 8.13, Deus anuncia o juízo sobre Israel dizendo: "Eu os farei desaparecer, diz o Eterno, não haverá mais uvas na videira, nem figos na figueira, e as folhas murcharão."
Israel e o povo eleito:
A figueira representa muitas vezes Israel como povo eleito de Deus. Em Oseias 9.10, Deus diz: "Achei Israel como uvas no deserto, vi vossos pais como as primícias de uma figueira."
A figueira e os ensinamentos de Jesus
Maldição da Figueira (Mateus 21.18-22; Marcos 11.12-25):
O Messias Jesus amaldiçoa uma figueira que não dá fruto, o que é interpretado como um ato simbólico a respeito da esterilidade espiritual e do juízo sobre Israel por sua falta de fé e de arrependimento.
Parábola da Figueira estéril (Lucas 13.6-9):
O Messias Jesus conta a parábola de um homem que tinha uma figueira plantada em sua vinha e que procurava fruto nela sem encontrar. O vinhateiro propõe cavar ao redor da figueira e pôr esterco para ver se daria fruto no ano seguinte, simbolizando a paciência e a misericórdia de Deus para com Israel.
A figueira na cultura e na agricultura israelenses
Uso agrícola e alimentar:
A figueira é uma planta comum em Israel, cultivada por seus frutos deliciosos e nutritivos. Os figos são uma importante fonte de alimento e podem ser consumidos frescos ou secos.
Ecologia e condições de crescimento:
A figueira cresce bem no clima mediterrâneo de Israel, caracterizado por verões quentes e secos e invernos amenos e úmidos. É frequentemente plantada em pomares e jardins.
Significado cultural:
A figueira está profundamente enraizada na cultura e na tradição judaicas. É mencionada em muitos textos religiosos e literários, representando a bênção, a paz, a prosperidade e, às vezes, o juízo.
Em resumo, a figueira é um símbolo poderoso e versátil na cultura e na religião de Israel, representando ao mesmo tempo a bênção e o juízo. Aparece com frequência nos ensinamentos bíblicos para ilustrar verdades espirituais profundas.
INF305
Nota informativa
INF305 - O monte das Oliveiras
O monte das Oliveiras
O monte das Oliveiras é um dos lugares mais importantes da geografia bíblica. Situado a leste de Jerusalém, é separado da cidade pelo vale do Cedrom (2 Samuel 15.30 ; João 18.1). Seu nome vem das numerosas oliveiras que antigamente cobriam suas encostas.
Situação geográfica
O monte das Oliveiras forma uma longa crista orientada de norte a sul, que atinge cerca de 820 metros de altitude, ou seja, um pouco acima de Jerusalém. De seu cume, tem-se uma vista notável da cidade e do local do Templo.
Sua proximidade com Jerusalém explica por que Jesus e seus discípulos iam lá com frequência (Lucas 21.37). Segundo Lucas, o lugar da ascensão ficava a uma distância de cerca de um “caminho de sábado” de Jerusalém, ou seja, aproximadamente um quilômetro (Atos 1.12).
Um lugar associado a numerosos acontecimentos bíblicos
No Antigo Testamento
Davi atravessou o ribeiro de Cedrom e subiu o monte das Oliveiras chorando, quando fugia de seu filho Absalão (2 Samuel 15.30).
O profeta Ezequiel descreve a glória de Deus deixando Jerusalém e parando no monte situado a leste da cidade, geralmente identificado com o monte das Oliveiras (Ezequiel 11.23).
O profeta Zacarias anuncia que, no dia do Senhor, os pés do Eterno pousarão sobre o monte das Oliveiras (Zacarias 14.4).
Na vida do Messias Jesus
O monte das Oliveiras ocupa um lugar especial nos Evangelhos:
Jesus permanece ali com frequência (Lucas 22.39);
ele contempla Jerusalém e chora sobre a cidade (Lucas 19.41-44);
ali ele pronuncia o discurso escatológico sobre o fim dos tempos (Mateus 24.3 ; Marcos 13.3);
ele passa as noites nesse monte durante os últimos dias antes de sua morte (Lucas 21.37);
ao pé do monte fica o jardim do Getsêmani, onde ele ora antes de sua prisão (Mateus 26.36 ; Lucas 22.39-46);
é também das proximidades de Betânia, na encosta oriental do monte, que ele abençoa seus discípulos e é elevado ao céu (Lucas 24.50-51 ; Atos 1.9-12).
O monte das Oliveiras e a ascensão
Atos indica que os discípulos voltaram a Jerusalém “do monte chamado das Oliveiras” depois da ascensão (Atos 1.12). Lucas esclarece em seu Evangelho que Jesus os conduziu até perto de Betânia antes de deixá-los (Lucas 24.50).
Essas duas indicações são perfeitamente compatíveis, pois Betânia se situa na encosta oriental do monte das Oliveiras, a cerca de três quilômetros de Jerusalém (João 11.18).
Uma dimensão profética
Para vários intérpretes, a escolha do monte das Oliveiras como lugar da ascensão provavelmente não é fortuita. O profeta Zacarias já anunciava que, no dia do Eterno, este se colocaria sobre esse monte (Zacarias 14.4). Assim, o lugar de onde Jesus deixa seus discípulos poderia ser também aquele associado à sua volta gloriosa, conforme a palavra dos anjos:
“Este mesmo Jesus, que dentre vós foi assunto ao céu, virá do modo como o vistes subir ao céu” (Atos 1.11).
Assim, o monte das Oliveiras aparece como um lugar carregado de história e de simbolismo. É ao mesmo tempo o cenário dos sofrimentos do Messias, de seu ensino sobre os tempos futuros, de sua ascensão e, segundo várias interpretações proféticas, do lugar associado à sua futura volta.
INF004
Nota informativa
INF004 - Os romanos
Os romanos
No ano 63 a.C., o general romano Pompeu invadiu o território de Israel e tomou Jerusalém. Graças a Júlio César, o judaísmo tornou-se, no ano 45 a.C., uma religião legal.
Cinco anos depois, em 40 a.C., o imperador Augusto pôs fim à dinastia dos hasmoneus e nomeou Herodes, o Grande, um idumeu, portanto sem linhagem real, rei dos judeus.
Alguns anos depois da morte de Herodes, o Grande, no ano 6 d.C., Roma mudou o estatuto da Judeia, bem como da Samaria e da Iduameia (o Edom bíblico), transformando-as em províncias romanas colocadas sob a responsabilidade de procuradores romanos.
Os filhos do monarca Herodes foram promovidos pela autoridade romana a tetrarcas e governaram essas diversas províncias sob a égide dos procuradores.
Portanto, durante o ministério do Messias Jesus, um prefeito, Pôncio Pilatos, e um tetrarca, Herodes Antipas, dividiam o poder. Os dois homens se odiavam até o dia da condenação do Messias Jesus (Lucas 23.12).
Quarenta anos depois da crucificação do Messias Jesus, a insurreição dos judeus, iniciada no ano 66, foi sufocada; Tito destruiu o templo de Jerusalém no ano 70 e tudo terminou com a queda de Massada em 2 de maio do ano 73.
Outras revoltas se seguiriam até o ano 135.
No ano 130, o imperador Adriano mudou novamente o estatuto do país de Israel, criando uma nova colônia romana; o nome de Jerusalém foi substituído por Aelia Capitolina.
O Messias Jesus exerceu seu ministério em um território ocupado pelos romanos, com um governador designado por Roma.
Três homens dividiam, portanto, nesse momento da história, a direção do país de Israel:
Pôncio Pilatos, o prefeito romano, detinha todos os poderes, em particular sobre a Judeia.
Herodes Antipas reinava sobre a Galileia e a Pereia.
O sumo sacerdote Caifás, responsável pelas questões religiosas.