PER343

Apresentação ao “rei” Antipas

Jesus é enviado por Pilatos diante de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, que se encontra em Jerusalém. Fascinado pelo espetacular, Herodes espera um milagre, mas depara com o silêncio total de Jesus. Ofendido, zomba dele, veste-lhe um manto resplandecente e o devolve a Pilatos. Ironicamente, este episódio reconcilia Pilatos e Herodes. Somente Lucas relata esta comparecência (Lucas 23.6-12), ocorrida por volta das 7h30 da manhã da sexta-feira da Paixão.

13 min Herodes Antipas Jesus diante de Antipas Paixão de Jesus comparecência silêncio de Jesus 17 versículos 4 livros

Consulta

Textos bíblicos

Mateus
Mateus (Bíblia Livre) não citado no livro
Marcos
Marcos (Bíblia Livre) não citado no livro
Lucas
Lucas 23.6-12 (Bíblia Livre)

Então Pilatos, ouvindo falar da Galileia, perguntou se aquele homem era galileu.

E quando soube que era da jurisdição de Herodes, ele o entregou a Herodes, que naqueles dias também estava em Jerusalém.

E Herodes, ao ver Jesus, alegrou-se muito, porque havia muito tempo que desejava o ver, pois ouvia muitas coisas sobre ele; e esperava ver algum sinal feito por ele.

E perguntava-lhe com muitas palavras, mas ele nada lhe respondia;

E estavam lá os chefes dos sacerdotes, e os escribas, acusando-o com veemência.

E Herodes, com seus soldados, desprezando-o, e escarnecendo dele, o vestiu com uma roupa luxuosa, e o enviou de volta a Pilatos.

E no mesmo dia Pilatos e Herodes se fizeram amigos; porque antes tinham inimizade um contra o outro.

João
João (Bíblia Livre) não citado no livro

Detalhes técnicos

Ano 33

Local: A cidade de Jerusalém, o palácio de Antipas

Data: a sexta-feira, 1º de abril, bem cedo pela manhã

Método de trabalho: Seguimos agora Lucas

Nota sobre o método de trabalho: Lucas é o único evangelista a registrar esta comparecência diante de Antipas

Mapa de Jerusalém e região
Gráfico de barras de sexta-feira

Pôncio Pilatos conseguiu enviar o Messias Jesus a Herodes Antipas para se livrar desse assunto.

Detalhes cronológicos, segundo as nossas conclusões:

_17 A comparecência diante do deveria ter ocorrido depois do nascer do sol, às 6h38. Mas não foi o que aconteceu, pois, no momento em que o galo canta, o Mestre é levado, segundo a nossa interpretação do texto de Lucas, a Pilatos logo após a sentença do , que esperou, portanto, o romper do dia para proferi-la. Lucas 22.66-71, Marcos 15.1, Mateus 27.1-2.

_18 A primeira comparecência diante de Pôncio Pilatos começa por volta das 6h45. Marcos 15.1-5, Mateus 27.2-14, Lucas 23.1-5, João 18.28-38.

_19 Situamos a comparecência diante de Herodes Antipas por volta das 7h30. Lucas 23.6-12.

Você pode consultar a cronologia completa no estudo ANN026 : A hora da crucificação.

Comentário:

Quando Pilatos fica sabendo que o Messias Jesus é galileu, aproveita imediatamente a ocasião para se livrar deste assunto delicado. Envia-o, portanto, a Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, que se encontra em Jerusalém para a festa, hospedado nos aposentos reais outrora construídos por seu pai, Herodes, o Grande. Antipas, ambicioso, esperava um dia tornar-se rei e aproveitava as grandes festas para afirmar sua presença política na capital.

Foi esse mesmo Herodes Antipas quem mandou matar João Batista (Marcos 6.17-28). Desde então, ouvira falar de outro profeta poderoso, o Messias Jesus, e certos boatos chegaram a fazê-lo crer que João poderia ter ressuscitado nele (Lucas 9.7-9). Herodes é fascinado pelo espetacular. Ele gosta de prodígios, de sinais extraordinários, de demonstrações de poder. Espera, portanto, que o Messias Jesus realize um milagre diante dele, como um entretenimento real.

Mas ele se engana profundamente quanto à natureza do Filho de Deus. O Messias Jesus não é um fazedor de prodígios vindo satisfazer a curiosidade dos poderosos. Ele é o Messias que veio cumprir o plano de salvação do Pai (João 3.16-17). É por isso que, diante das muitas perguntas de Herodes, Jesus não pronuncia uma única palavra (Lucas 23.9). Seu silêncio é um julgamento. Ele se recusa a entrar no jogo de um soberano superficial, imoral e assassino.

A entrevista termina, portanto, rapidamente. Herodes, ofendido com esse silêncio, normalmente teria mandado açoitar o insolente. Mas não ousa ir longe demais, pois Jesus lhe foi enviado por Pilatos. Contenta-se, então, junto com seus soldados, em zombar de Jesus, vesti-lo com um manto resplandecente, talvez uma paródia de manto real, e devolvê-lo a Pilatos (Lucas 23.11).

Contudo, acontece algo inesperado: Pilatos e Herodes tornam-se amigos naquele dia (Lucas 23.12). Até então estavam estremecidos, provavelmente por causa de tensões políticas entre a Judeia e a Galileia. Mas o envio de Jesus de um tribunal a outro cria uma aproximação. Ironicamente, é o Messias Jesus, silencioso, humilhado, rejeitado, que se torna o instrumento involuntário dessa reconciliação.

Lucas apresenta um contraste particularmente marcante.

De um lado, Herodes aparece como um homem frívolo e curioso, mas totalmente cego no plano espiritual, incapaz de reconhecer em Jesus o verdadeiro Messias.

Do outro, Jesus permanece em silêncio, mas plenamente soberano, avançando voluntariamente para a cruz sem se deixar impressionar pelo poder humano.

Por fim, Pilatos e Herodes se veem unidos, não por uma preocupação com a justiça, mas por sua participação comum na rejeição do Filho de Deus.

No meio desses jogos políticos, o Messias Jesus permanece o verdadeiro Rei, aquele cujo reino não é deste mundo (João 18.36). Seu silêncio diante de Herodes não é uma fraqueza, mas uma afirmação de sua missão: ele caminha para a cruz para cumprir o amor do Pai pela humanidade (João 3.16-17).