ANN042

Os tempos de deslocamento

Este anexo estuda os meios e as durações de deslocamento no primeiro século. Na época de Jesus, viajava-se principalmente a pé, em caravana ou de barco. A viagem de Maria e José de Nazaré a Belém (142 km) teria durado cerca de sete a oito dias, em razão da gravidez de Maria e da observância do sábado. Um reboque puxado por um jumento teria reduzido o cansaço sem diminuir significativamente a duração do trajeto.

8 min deslocamento viagem primeiro século Nazaré Belém 4 versículos 3 livros

Para mais informações

Introdução

Hoje, graças aos avanços tecnológicos, viajar até os confins do nosso mundo tornou-se relativamente fácil, e as restrições se limitam principalmente a questões financeiras. Alguns dirigentes de grandes empresas chegam a cogitar viagens a Marte!

O homem adquiriu assim a capacidade de se deslocar a qualquer lugar da Terra, no espaço e sob os oceanos. Essa facilidade de deslocamento, que hoje consideramos normal, contrastava fortemente com a situação no tempo de Jesus.

Neste breve estudo, analisaremos os meios de deslocamento e suas durações no tempo do Messias Jesus.

I. Os meios de deslocamento no primeiro século

Na época do Messias Jesus, as pessoas se deslocavam principalmente a pé. Essa limitação nos meios de deslocamento favorecia a sedentarização da população. Em geral, as pessoas nasciam, cresciam, casavam-se, trabalhavam e morriam na mesma aldeia ou na mesma região.

Para os trajetos longos, usavam-se camelos ou dromedários. Caravanas percorriam regularmente a região para transportar mantimentos. Carroças de todo tipo, puxadas por jumentos ou bois, também eram usadas para o transporte de mercadorias.

Os barcos também desempenhavam um papel crucial nas trocas econômicas e no transporte de pessoas. O apóstolo Paulo, por exemplo, menciona suas viagens por mar em Atos 16.11. Essas embarcações transportavam diversas cargas e também levavam passageiros, como detalha o relato do naufrágio de Paulo em Atos 27.21-44.

É fácil compreender que a duração dessas viagens era consideravelmente maior em comparação com os nossos padrões atuais.

II. Os tempos de deslocamento

Temos indicações precisas sobre a duração das viagens antigas, como mostra o exemplo de Esdras, que percorreu os 1100 km que separavam Babilônia de Jerusalém. Segundo Esdras 7.8-9, sua viagem durou quatro meses, no ano 458 a.C. Note-se que os progressos técnicos em matéria de transporte não evoluíram de modo significativo durante os cinco séculos que separam esse acontecimento da época do Messias Jesus.

As viagens naquela época eram pouco frequentes e tinham objetivos específicos, como as festas religiosas no templo de Jerusalém ou, no caso de José e Maria, um recenseamento em sua cidade de origem. O turismo, tal como o conhecemos hoje, não existia, embora os judeus aproveitassem as festas em Jerusalém para admirar as construções de Herodes, o Grande, como o templo, descrito em Marcos 13.1.

Os Evangelhos relatam vários deslocamentos de Jesus da Galileia a Jerusalém, notadamente para as festas da Páscoa. O caminho mais direto de Nazaré a Belém passava pela Samaria, mas os judeus geralmente evitavam essa rota por razões históricas, preferindo um itinerário mais longo que seguia as margens do Jordão.

Por outro lado, os não hesitavam em agredir os judeus que atravessavam seu território nas diversas peregrinações ao Templo de Jerusalém.

Para a viagem de Maria e José, estima-se que percorreram cerca de 142 km pela estrada que margeia o Jordão. Com base na velocidade de marcha das legiões romanas, que variava entre 15 e 25 km por dia, essa viagem teria durado cerca de oito dias, levando em conta a gravidez de Maria. Provavelmente fizeram paradas para passar a noite ao relento, por causa de seus recursos financeiros limitados.

Consideramos também o uso de um reboque de madeira, construído por José e puxado por um jumento, o que teria permitido uma velocidade de 3 a 6 km/h por um máximo de 6 horas por dia. No entanto, essa opção não teria diminuído significativamente o tempo de deslocamento, em razão da carga a puxar e da qualidade dos caminhos. Esse método teria, porém, reduzido o cansaço.

A solução mais plausível para o casal, levando em conta o estado de Maria, seria o uso de um reboque puxado por um jumento, com uma viagem de sete dias, já que os deslocamentos eram proibidos no .

Em condições normais, essa distância poderia ser percorrida em cinco dias, com etapas bem definidas, como mostra o episódio da visita de Maria a Isabel.

Conclusão

Ao ler os Evangelhos, às vezes é difícil avaliar os desafios ligados aos deslocamentos na época do Messias Jesus. De fato, os autores dos Evangelhos concentram-se mais nos ensinamentos e nos acontecimentos, deixando pouco espaço para os detalhes das viagens mencionadas.

Assim, encontramos expressões concisas como «foi à casa de sua parenta», «subiram ao templo para a festa dos judeus» ou ainda «o Espírito Santo o conduziu ao deserto». Por trás dessas palavras, é importante visualizar os dias de caminhada, as noites passadas ao relento ou em tendas e as diversas dificuldades inerentes a essas longas viagens.

Por exemplo, a Galileia, onde Jesus exerceu a maior parte do seu ministério, ficava a cerca de cinco dias de caminhada do Templo de Jerusalém. Além disso, a observância do impunha uma restrição de deslocamento que não passava de 1 km.

Embora a população da época estivesse habituada a caminhar, é essencial reconhecer as dificuldades desses deslocamentos, sem esquecer os riscos ligados aos bandidos que muitas vezes agiam à noite, obrigando os viajantes a chegar ao destino antes do pôr do sol.

Essa realidade contribuía para a sedentarização da população. No entanto, ao observar os numerosos deslocamentos feitos por Jesus, é evidente que ele possuía uma excelente condição física, demonstrando sua capacidade de superar esses desafios.