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Instrução sobre os escândalos, o perdão e a fé

O artigo examina os ensinamentos de Jesus sobre os escândalos, o perdão e a fé em Lucas 17.1-6. Jesus exorta os discípulos a evitarem provocar quedas espirituais e a perdoarem sem limites. Essa instrução evidencia a responsabilidade comunitária e o compromisso dos discípulos com o reino dos céus.

11 min escândalos perdão fé discípulos Jesus 9 versículos 3 livros

Consulta

Textos bíblicos

Mateus
Mateus (Bíblia Livre) não citado no livro
Marcos
Marcos (Bíblia Livre) não citado no livro
Lucas
Lucas 17.1-6 (Bíblia Livre)

E disse aos discípulos: É impossível que não venham tentações para o pecado, mas ai daquele por quem essas tentações vierem!Notetentações para o pecado Lit. meios de tropeço

Melhor lhe seria que lhe atasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar, do que conduzir ao pecado um destes pequenos.

Olhai por vós. E se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe.

E se pecar contra ti sete vezes ao dia, e se sete vezes ao dia voltar a ti, dizendo: Estou arrependido. Perdoa-lhe.

E os apóstolos disseram ao Senhor: Acrescenta-nos fé.

E o Senhor disse: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta árvore de amoras: Arranca-te daqui pelas tuas raízes, e planta-te no mar, ela vos obedeceria.

João
João (Bíblia Livre) não citado no livro

Detalhes técnicos

Ano 32

Local: No caminho para Betânia, além do Jordão.

Data: Antes da de 15 de dezembro do ano 32

Método de trabalho: Continuamos com Lucas

Nota sobre o método: Somente Lucas registra este ensinamento particular

Viagem a Betânia

Lucas, ao falar do reino dos céus, apresenta agora três ensinamentos muito breves do Messias Jesus.

Instrução sobre os escândalos, o perdão e a fé

Ensino aos discípulos

Comentários

Na passagem de Lucas 17.1-6, três temas distintos surgem claramente. O autor os apresenta como axiomas, verdades fundamentais ou advertências, sem dar explicações detalhadas. É importante notar que o Messias Jesus se dirige aqui diretamente a seus discípulos, e não à multidão. Essa precisão sugere que este relato não está ligado a um acontecimento público, mas diz respeito especificamente àqueles que seguem o Messias Jesus, os discípulos chamados a entrar no reino dos céus.

Assim, Lucas parece inserir essa conversa neste momento da narrativa com o objetivo de reforçar sua argumentação sobre o reino dos céus e sobre a natureza da vida de discípulo. Os ensinamentos dados nesses versículos destinam-se, portanto, àqueles que aspiram a fazer parte desse reino, evidenciando sua responsabilidade e seu compromisso.

Lucas 17.1-2 trata das armadilhas ou dos escândalos que fariam um discípulo cair. O responsável por essa queda será julgado com extrema severidade.

Os
A

As palavras do Messias Jesus carregam um significado profundo e não devem, de modo algum, ser tomadas de maneira leviana. Constituem um apelo urgente à vigilância na maneira de falar e de agir, ressaltando que cada gesto ou palavra pode acarretar consequências insuspeitas. Assim, não se trata apenas de riscos abstratos: as palavras e as ações podem realmente provocar perturbações na vida de alguns discípulos, pondo em perigo sua fé e seu caminho espiritual.

O discípulo do Messias Jesus, a partir daí, já não é um indivíduo isolado, separado dos outros. Ele se torna plenamente membro da Igreja, integrado em uma comunidade em que a influência de cada um permanece significativa. A responsabilidade individual assume então uma dimensão coletiva: cada discípulo deve tomar consciência de seu impacto sobre os outros e cuidar para não ser um obstáculo, mas, ao contrário, um apoio para o crescimento e a perseverança dos demais membros da comunidade.

Em Lucas 17.3-4, a questão do perdão ocupa um lugar central. O Messias Jesus ensina que o perdão nunca deve ser recusado àquele que causou mal e reconhece a falta. A expressão “sete vezes por dia” não deve ser entendida literalmente, mas indica, na realidade, uma exigência de perdão contínuo, sem limite nem cansaço.

Esse tema do perdão também se encontra em Mateus 18.21-22, onde se fala de perdoar “setenta vezes sete”, sem precisar, no entanto, um período. Também aqui se trata de um apelo a uma disposição perpétua para o perdão, muito além do que poderia parecer razoável ou suportável segundo os critérios humanos.

Nessas palavras do Messias Jesus não há ameaça nem condenação. Trata-se antes da lembrança de um ensinamento fundamental e já bem conhecido dos discípulos: o perdão, na dinâmica comunitária, deve ser oferecido incansavelmente àquele que se arrepende.

O
A

Em Lucas 17.5-6, os discípulos expressam seu sentimento de insuficiência em matéria de fé e pedem ao Messias Jesus que aumente a fé deles. Esse pedido manifesta a consciência que tiveram: percebem sua fé como limitada e desejam que seja desenvolvida pela intervenção do Mestre. No entanto, a difere do que esperavam. Ele não lhes promete um aumento milagroso da fé, mas ressalta que até uma fé muito pequena, semelhante a um grão de mostarda, tem o poder de produzir grandes efeitos.

O Messias Jesus não questiona a presença da fé em seus discípulos. Indica simplesmente que essa fé, por menor que seja aos olhos deles, já é suficiente para realizar grandes coisas. Remete assim ao ensinamento da do grão de mostarda (Mateus 13.31-32, Marcos 4.30-32, Lucas 13.18-19), em que o reino dos céus é comparado a uma semente minúscula destinada a tornar-se uma árvore imponente. Aqui, ele aplica a mesma analogia à dinâmica da fé.

O crescimento da fé, segundo o ensinamento do Messias Jesus, não decorre de um ato milagroso instantâneo de Deus. Ao contrário, trata-se de um processo natural, sujeito a leis espirituais semelhantes às que regem o crescimento de um grão de mostarda. A fé, mesmo a mais ínfima, está destinada a desenvolver-se e a dar fruto, seguindo um caminho progressivo e fiel aos princípios espirituais.

O pedido dos discípulos ao seu Mestre não é simples de interpretar. Lucas menciona esse pedido imediatamente após o breve ensinamento sobre o perdão, sugerindo assim uma ligação entre os dois episódios. É possível que os discípulos, ao ouvirem a exposição do Messias Jesus sobre o perdão, tenham percebido que não dispunham da fé necessária para viver plenamente esse perdão segundo as exigências do Mestre.

Esse pedido também pode ser compreendido à luz do nível de compromisso exigido para se tornarem verdadeiros discípulos. A condição de discípulo implica uma consagração total, o que torna manifesta a necessidade de uma fé sólida e profunda. Os discípulos, confrontados com a altura das expectativas e o rigor dos preceitos do Mestre, sentem sua insuficiência e pedem um aumento de sua fé.

A vem então reorientar a perspectiva deles: ele não lhes afirma que a fé que têm é insuficiente para seguir seus ensinamentos e colocá-los em prática. Ao contrário, ressalta que a fé que já possuem é suficiente para realizar o que lhes é pedido. Assim, ele não lhes impõe o impossível, mas os encoraja a reconhecer o poder da fé mesmo quando ela lhes parece limitada.