Seguindo a cronologia de Lucas, integrámos diversos textos relativos ao mesmo assunto, provenientes de outras intervenções de Jesus Cristo, para facilitar uma compreensão mais aprofundada da mensagem.
Esta metáfora evoca uma candeia acesa que, logicamente, deve ser colocada no melhor lugar para iluminar a divisão e permitir que as pessoas presentes vejam bem. Lucas explica, em seguida, que o nosso olho é a candeia do corpo, representando assim a luz mencionada anteriormente. Salienta que, quando o olho funciona corretamente, proporciona uma visão clara, o que deixa de acontecer se o seu estado se deteriorar.
Existem, portanto, duas aplicações distintas: a primeira consiste em iluminar os outros, recordando que o discípulo se tornou a luz do mundo (Mateus 5.14), e trata do testemunho. A segunda mostra que o discípulo também precisa de ser iluminado pela luz do Messias Jesus. Assim, o discípulo reflete a luz que Jesus Cristo trouxe à sua alma.
O que significa cuidar para que a nossa luz não se torne trevas, segundo Lucas 11.35?
Pode encontrar-se uma resposta em Mateus 5.16, que compara a luz com a nossa forma exemplar de viver. Esta observação deveria levar aqueles que a testemunham a prestar homenagem a Deus. Se a nossa forma de viver se degrada, a nossa luz torna-se trevas.
O ensinamento do Messias Jesus revela claramente a verdade divina, iluminando os nossos espíritos. Estas palavras atuam como uma luz que evidencia realidades espirituais anteriormente ocultas, e esta iluminação deve servir de testemunho visível para todos.
A passagem de Mateus 5.14-16, retirada do sermão da montanha (PER088), compara a pessoa que ouve e aplica os ensinamentos de Jesus Cristo a alguém que recebe a luz, vive nessa luz e ilumina, por sua vez, os que o rodeiam. Por outras palavras, dá testemunho da graça divina.
O Evangelho de João recorre frequentemente à imagem da luz para retratar o Messias Jesus. Embora isto ultrapasse o âmbito desta perícope, parece-nos pertinente revisitar a argumentação de João, que equipara o Messias Jesus à luz.
João 1.4-5, João 1.9: A Luz da Vida
Texto:
Significado: João começa o seu Evangelho identificando o Messias Jesus (a Palavra) como a fonte da vida e a luz dos homens. A alusão à luz evoca a clareza, a pureza, a verdade e a revelação divina. A luz que brilha nas trevas, mas que as trevas não compreendem, simboliza a vinda do Messias Jesus a um mundo marcado pelo pecado e pela ignorância, e o seu papel como revelador da verdade divina.
João 3.19-21: A Luz e o Julgamento
Texto:
Significado: Esta alusão à luz no contexto do julgamento evidencia a resposta humana à revelação divina trazida por Jesus. Aqueles que praticam o mal preferem as trevas para esconder as suas ações, enquanto aqueles que praticam a verdade vêm à luz. Isto salienta a divisão entre os que aceitam o Messias Jesus e a sua verdade e os que o rejeitam.
João 8.12: A Luz do Mundo
Texto:
Significado: Aqui, o Messias Jesus declara-se abertamente a luz do mundo. Esta afirmação é uma reivindicação messiânica e divina, indicando que seguir Jesus conduz à verdade, à vida e à orientação espiritual. A luz da vida promete não só uma revelação interior e compreensão, mas também uma orientação moral e ética.
João 9.5: A Luz Enquanto Está no Mundo
Texto:
Significado: O Messias Jesus reitera a sua posição de luz do mundo no contexto da cura do cego de nascença, ilustrando a sua missão de dar a vista não só física, mas também espiritualmente. A luz é aqui sinónimo de cura, de revelação e de transformação.
João 12.35-36, João 12.46: Exortação a Crer na Luz
Texto:
Significado: Jesus exorta os seus ouvintes a crerem na luz enquanto ela está presente entre eles, convidando-os a tornarem-se "filhos da luz". Isto evidencia a urgência da fé e a oportunidade limitada da revelação divina. Jesus apresenta-se mais uma vez como a luz que veio para tirar a humanidade das trevas do pecado e da ignorância.
Conclusão
As alusões à luz no Evangelho de João servem para salientar a missão de Jesus como revelador da verdade divina, fonte de vida e de orientação espiritual e agente de cura e de transformação. João usa esta metáfora para ilustrar o contraste entre a revelação divina e a condição humana marcada pelas trevas do pecado. Seguir Jesus, a luz do mundo, conduz a uma vida iluminada pela verdade, pela pureza e pelo amor divino, e afasta das trevas da ignorância e do mal.
Estas passagens evidenciam a teologia joanina, que apresenta Jesus como a luz que veio ao mundo para trazer a revelação, a vida e a verdade divina.
O discípulo do Messias Jesus é chamado a refletir a luz que ele encarna e a tornar-se, por sua vez, uma fonte de luz para o mundo.