Os textos de Mateus 24.3-51 e Marcos 13.1-37 apresentam um discurso escatológico comum, mas com nuances próprias de cada evangelista. Compartilham uma estrutura semelhante e anunciam os mesmos grandes acontecimentos, mas diferem no estilo, no desenvolvimento e nos acréscimos específicos.
Pontos em comum entre Mateus e Marcos
Os dois relatos começam no , depois que Jesus deixou o Templo. Os discípulos o interrogam em particular sobre a destruição do Templo, a vinda do Messias e o fim do mundo. Jesus responde com um discurso profético estruturado em três tempos: os sinais precursores, a grande tribulação e a vinda do Filho do Homem.
Nos dois textos encontramos :
O anúncio de falsos messias e falsos profetas que seduzirão por meio de sinais.
Guerras, fomes e terremotos, qualificados como «princípio das dores».
A perseguição dos discípulos, entregues às autoridades e chamados a testemunhar.
A menção da abominação da desolação, sinal de uma virada dramática.
O chamado a fugir sem voltar atrás, sobretudo para os mais vulneráveis.
Uma tribulação sem igual, abreviada por causa dos eleitos.
Sinais cósmicos: o escurecimento do sol, a queda das estrelas.
A vinda do Filho do Homem em glória, com a reunião dos eleitos.
A imagem da , que anuncia a proximidade do acontecimento.
O chamado à vigilância, pois o dia e a hora são desconhecidos.
Esses elementos mostram que Mateus e Marcos transmitem uma tradição comum, provavelmente proveniente de um ensino oral de Jesus, estruturado em torno da vigilância escatológica.
Diferenças e elementos próprios de Mateus
Mateus desenvolve mais o discurso, com um estilo mais didático e estruturado. Acrescenta vários elementos ausentes em Marcos:
Uma insistência no amor que esfria e na iniquidade que cresce (Mateus 24.12).
O anúncio de que o Evangelho será proclamado no mundo inteiro antes do fim (Mateus 24.14).
Uma separação final: duas pessoas lado a lado, uma levada e a outra deixada (Mateus 24.40-41).
A do servo fiel e do servo infiel, que conclui o discurso (.45–51).
Um tom mais moral e pastoral, com exortações à fidelidade na espera.
Mateus insiste na responsabilidade individual, na perseverança e na preparação interior. Seu relato é mais longo (1.079 palavras contra 855 de Marcos), o que reflete sua preocupação catequética.
Diferenças e elementos próprios de Marcos
Marcos, mais conciso, privilegia um estilo narrativo e direto. Introduz detalhes específicos:
Nomeia os quatro discípulos presentes: Pedro, Tiago, João e André (Marcos 13.3).
Insiste no papel do Espírito Santo no testemunho dos discípulos (Marcos 13.11).
Menciona o porteiro que vigia, imagem própria de Marcos (Marcos 13.34).
Conclui com uma exortação universal: «O que vos digo, a todos o digo: vigiai» (Marcos 13.37).
Marcos dá ênfase à urgência, à missão e à vigilância coletiva. Seu estilo é mais sóbrio, porém denso, com uma tensão dramática mais acentuada.
Em resumo
Mateus e Marcos transmitem um mesmo ensino de Jesus sobre o fim dos tempos, mas com intenções teológicas distintas:
Mateus procura instruir e exortar: desenvolve as implicações morais e espirituais.
Marcos quer alertar e mobilizar: insiste na vigilância e na missão em meio à provação.