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A defesa de Pedro e de João diante do Sinédrio

Pedro e João apresentam uma defesa ousada diante do Sinédrio após um milagre que surpreende as autoridades. Cheios do Espírito Santo, demonstram uma confiança que espanta seus juízes. Lucas ressalta o cumprimento das promessas de Jesus, e a irrefutabilidade dos fatos reforça o testemunho deles.

9 min Pedro João Sinédrio Espírito Santo milagre 10 versículos 4 livros

Consulta

Textos bíblicos

Atos
Atos 4.7-14 (Bíblia Livre)

E pondo-os no meio, perguntaram -lhes : Por meio de que poder ou por qual nome vós fizestes isto?

Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Chefes do povo, e anciões de Israel,

Se hoje somos interrogados quanto a uma boa ação feita a um enfermo, pela qual este foi curado;

Seja conhecido a todos vós, e a todos o povo de Israel, que pelo nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele que vós crucificastes, ao qual Deus ressuscitou dos mortos, por ele este homem está são diante de vós.

Este é a pedra que foi desprezada por vós, edificadores; a qual foi feita por cabeça de esquina.

E em nenhum outro há salvação; porque nenhum outro nome há abaixo do céu, dado entre os seres humanos, em quem devemos ser salvos.

E eles, ao verem a ousadia de Pedro, e de João; e informados que eles eram homens sem instrução e ordinários, maravilharam-se; e eles sabiam que eles tinham estado com Jesus.

E vendo estar com eles o homem que tinha sido curado, nada tinham a dizer contra eles.

Detalhes técnicos

Ano 33

Local: Cidade de Jerusalém

Data: Primavera de 33

Modo de proceder: Seguimos Lucas em sua segunda obra

Nota sobre o modo de proceder: Estas informações se encontram unicamente em Lucas

Mapa de Jerusalém e região

Para surpresa geral, Pedro e João apresentam sua defesa com uma segurança e uma autoridade que o manifestamente não havia previsto. Esses homens do povo, desprovidos de formação rabínica especial e provavelmente desprezados pelas autoridades religiosas, encontram-se agora em posição de influenciar seus juízes, eles próprios desconcertados pela evidência do milagre e incapazes de refutar o testemunho deles.

1- Uma segurança inesperada

A surpresa dos membros do deve ter sido considerável. Em vez de descobrir dois homens intimidados e impressionados pela solenidade dessa assembleia, eles ouvem Pedro exprimir-se com notável segurança. Lucas ressalta, aliás, que o apóstolo está então «cheio do Espírito Santo» (Atos 4.8), mostrando assim que essa ousadia não repousa unicamente em suas qualidades pessoais.

Mais ainda, certos aspectos de sua argumentação lembram os do próprio Senhor Jesus. Pela maneira como Pedro responde a seus acusadores e fundamenta seu raciocínio nas Escrituras, o leitor reencontra certos traços do ministério do Mestre. A ação do Espírito Santo certamente não é alheia a essa segurança e a esse notável domínio da situação.

2- O espanto dos membros do Sinédrio

Ninguém parecia esperar tal atitude. Lucas faz questão de ressaltar o espanto dos membros do , que reconhecem em Pedro e em João homens do povo, desprovidos de formação rabínica reconhecida (Atos 4.13). No entanto, essas mesmas autoridades descobrem com surpresa que esses homens simples possuem uma segurança e uma sabedoria que elas não conseguem reduzir ao silêncio.

Essa cena lembra as promessas feitas por Jesus a seus discípulos. Ele lhes havia anunciado que, quando fossem levados diante dos tribunais, o Espírito Santo lhes daria as palavras necessárias (Mateus 10.19-20; Lucas 12.11-12). Os acontecimentos relatados por Lucas aparecem assim como o cumprimento concreto dessas palavras.

3- O milagre coloca os juízes em apuros

A ironia da situação é particularmente notável. Aqueles que tinham vindo julgar Pedro e João encontram-se eles próprios em apuros. A presença do antigo coxo, milagrosamente curado, torna toda contestação particularmente difícil. A evidência do milagre perturba o raciocínio dos membros do e os priva de qualquer argumento decisivo.

Incapazes de negar os fatos, veem-se obrigados a fazer sair os acusados para deliberar entre si (Atos 4.14-15). O tribunal encarregado de condenar os apóstolos vê-se assim diante de uma realidade que não consegue nem explicar nem refutar.

4- Pedro, principal porta-voz dos apóstolos

Lucas dá destaque principalmente a Pedro, que aparece como o principal porta-voz do grupo apostólico durante os primeiros anos da Igreja. Esse papel já é perceptível nos Evangelhos (Mateus 16.16; João 6.68-69) e se confirma nos primeiros capítulos de Atos.

Contudo, Lucas ressalta também a segurança de João (Atos 4.13). Ignoramos se ele tomou a palavra durante essa comparecência, uma vez que o relato se concentra essencialmente em Pedro. Esse silêncio não significa, porém, que João tenha permanecido passivo; ele testemunha antes a escolha literária de Lucas, que privilegia a figura de Pedro nessa primeira parte de sua obra.

5- Uma nova ilustração da promessa do Senhor

Algumas semanas antes, esses mesmos discípulos haviam abandonado o seu Mestre no momento de sua prisão (Mateus 26.56). Agora comparecem diante das mesmas autoridades religiosas com uma segurança que surpreende até seus adversários.

O contraste é impressionante. Os chefes do povo pensavam provavelmente intimidar dois simples galileus, mas descobrem testemunhas decididas, cuja ousadia lembra a do próprio Senhor Jesus. Mais uma vez, a oposição das autoridades religiosas torna-se para os apóstolos a ocasião de dar testemunho de Cristo ressuscitado.

6- O Sinédrio diante de um problema insolúvel

O embaraço dos membros do anuncia a continuação do relato. Incapazes de negar o milagre e de refutar os argumentos de Pedro, as autoridades religiosas vão buscar outro meio de pôr fim à pregação apostólica.

Examinaremos no estudo seguinte a reação do e as medidas que ele tentará tomar para reduzir os dois apóstolos ao silêncio.

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