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A prisão

Este artigo trata da prisão de Jesus no jardim do Getsêmani, conforme relatada nos Evangelhos. Ele destaca a traição de Judas e a reação dos soldados à declaração de Jesus, que revela o seu domínio da situação.

19 min prisão Jesus Getsêmani Evangelhos 29 versículos 5 livros

Consulta

Textos bíblicos

Mateus
Mateus 26.48-50 (Bíblia Livre)

O seu traidor havia lhes dado sinal, dizendo: Aquele a quem eu beijar, é esse. Prendei-o.

Logo ele se aproximou de Jesus, e disse: Felicitações, Rabi! e o beijou.

Jesus, porém, lhe perguntou: Amigo, para que vieste? Então chegaram, agarraram Jesus, e o prenderam.

Marcos
Marcos 14.43-46 (Bíblia Livre)

E logo, enquanto ele ainda estava falando, veio Judas, que era um dos doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e bastões, da parte dos chefes dos sacerdotes, dos escribas, dos anciãos.

E o que o traía lhes tinha dado um sinal comum, dizendo: “Ao que eu beijar, é esse; prendei-o, e levai-o em segurança.”

E quando veio, logo foi-se a ele, e disse-lhe: “Rabi, Rabi”, e o beijou.

Então o agarraram, e o prenderam.

Lucas
Lucas (Bíblia Livre) não citado no livro
João
João 18.4-9 (Bíblia Livre)

Sabendo pois Jesus todas as coisas que viriam sobre ele, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais?

Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Eu sou. E Judas, o que o traía, também estava com eles.

Quando pois lhes disse: Eu sou, voltaram para trás, e caíram em terra.

Voltou pois a lhes perguntar: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus Nazareno.

Respondeu Jesus: Já vos disse que eu sou. Portanto se buscais a mim, deixai a estes irem.

Para que se cumprisse a palavra, que tinha dito: Dos que me deste, a nenhum deles perdi.

Detalhes técnicos

Ano 33

Local: O jardim do Getsêmani, ao pé do monte das Oliveiras, em frente à cidade de Jerusalém

Data: sexta-feira, 1º de abril, bem cedo pela manhã

Modo de proceder: Seguimos agora Marcos

Nota sobre o modo de proceder: Mateus, Lucas e João também registram este acontecimento

Mapa de Jerusalém e região
Gráfico de barras de sexta-feira

Jesus, o Messias, está prestes a ser preso, mas tudo mostra que ele permanece plenamente senhor do desenrolar dos acontecimentos.

Detalhes cronológicos, segundo as nossas conclusões:

_8 Eles vão parar ao pé do , no jardim do Getsêmani. Mateus 26.36; Marcos 14.32.

_9 Passam uma hora em oração, das 2 h às 3 h. Mateus 26.40.

_10 Chega a tropa conduzida por Judas Iscariotes. Ainda é a noite de quinta-feira, antes do amanhecer de sexta, por volta das 3 h. Marcos 14.43-52; Mateus 26.47-56; Lucas 22.47-53; João 18.2-12.

_11 A prisão ocorre nesse momento, por volta das 3 h 30. Estamos a cerca de 1 km do Templo. Mateus 26.47; Marcos 14.43; Lucas 22.47; João 18.3.

Você pode consultar a cronologia completa no estudo ANN026 : A hora da crucificação.

Comentário:

Nos relatos de Mateus e de Marcos, Judas combinou um sinal para identificar Jesus, o Messias, aos que vêm prendê-lo: um beijo, gesto normalmente associado à honra e à amizade, mas que aqui se torna o próprio instrumento da traição (Provérbios 27.6).

Esse sinal, embora claro, não parece suficiente no tumulto da prisão noturna. João, que não menciona o beijo, mostra que Jesus mesmo precisa intervir para dissipar qualquer ambiguidade. Ele se adianta e declara: “Sou eu”, expressão carregada de sentido teológico (João 18.5-6), que lembra sua soberania e sua identidade profunda, já afirmada em seu ministério (João 8.58).

Com essa palavra, Jesus, o Messias, mostra que não sofre a prisão, mas se entrega a ela voluntariamente, conforme a missão recebida do Pai (João 10.17-18).

Ao se apresentar assim, Jesus, o Messias, protege seus discípulos. João ressalta que ele pede explicitamente que os deixem ir (João 18.8), cumprindo a sua própria oração, na qual afirmava não ter perdido nenhum deles (João 17.12). Jesus sabe que a tensão é extrema e que seus companheiros, ainda frágeis, não devem ser arrastados para esse caso. Ele toma, portanto, a iniciativa para evitar qualquer escalada.

O contexto político e social torna a cena ainda mais carregada. As autoridades temem uma sedição, pois Jesus, o Messias, exerce uma influência real sobre o povo, como mostraram as multidões por ocasião de sua entrada em Jerusalém (Mateus 21.8-11). Os líderes religiosos, aliás, haviam decidido prendê-lo à noite para evitar um levante (Marcos 14.1-2).

João menciona até a presença de uma coorte (João 18.3), termo que pode designar um destacamento importante, sinal de que a operação é considerada delicada e potencialmente perigosa. Os que vêm prender Jesus, o Messias, foram cuidadosamente escolhidos, pois a situação podia mudar a qualquer momento. Era preciso agir depressa, sem chamar a atenção e, sobretudo, evitar que a multidão se reunisse.

Quando Jesus pronuncia “Sou eu”, os soldados recuam e caem por terra (João 18.6). Esse detalhe único revela o poder moral e espiritual do Messias. Apesar da aparente fraqueza de sua posição, ele permanece senhor da situação. A força militar é derrubada pela única autoridade de sua palavra. Esse momento ressalta que Jesus, o Messias, não perde o controle: ele se entrega, mas ninguém o toma à força. Tudo se desenrola segundo o plano divino, para que se cumpram as Escrituras (João 18.9).

É então que Pedro intervém. Os Sinóticos falam de um discípulo, mas João o identifica claramente (João 18.10). Seu gesto impulsivo, motivado por um apego sincero, mas mal orientado, mostra que ele ainda não compreendeu a natureza do Reino. Ele crê que deve defender Jesus pela força, quando este acabara justamente de ensinar que a violência não é o caminho de seus discípulos (Mateus 26.52).

Jesus, o Messias, repreende Pedro e lhe lembra que ele deve beber o cálice que o Pai lhe deu (João 18.11). A missão redentora não pode ser desviada, pois é a expressão suprema do amor divino pelo mundo (João 3.16-17).

Assim, ao harmonizar os três relatos, vemos que Judas aponta Jesus, o Messias, por um sinal de amizade pervertido, que o tumulto torna esse sinal insuficiente, que Jesus, o Messias, se apresenta voluntariamente, que protege seus discípulos, que os soldados temem um tumulto, que Pedro reage com a força e que Jesus, o Messias, mantém o rumo de sua missão.

Esta cena não é apenas uma prisão: é a revelação de um Messias soberano, que se entrega livremente para cumprir a salvação anunciada há muito tempo.