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Anúncio da destruição de Jerusalém

Em Lucas 19.41-44, Jesus se aproxima de Jerusalém, chora sobre a cidade e anuncia com precisão a sua futura destruição pelos romanos no ano 70 d.C. Somente Lucas relata esse episódio dessa forma. Jesus lamenta que Jerusalém não tenha reconhecido a sua visitação divina. Esta passagem revela ao mesmo tempo a compaixão do Messias e a gravidade da rejeição da revelação divina, situando-se na última semana antes da sua prisão.

12 min destruição de Jerusalém lágrimas de Jesus profecia Lucas 19 Monte das Oliveiras 14 versículos 4 livros

Consulta

Textos bíblicos

Mateus
Mateus (Bíblia Livre) não citado no livro
Marcos
Marcos (Bíblia Livre) não citado no livro
Lucas
Lucas 19.41-44 (Bíblia Livre)

E quando já estava chegando, viu a cidade, e chorou por causa dela,

Dizendo: Ah, se tu também conhecesses, pelo menos neste teu dia, aquilo que lhe traria paz! Mas agora isto está escondido de teus olhos.

Porque dias virão sobre ti, em que teus inimigos lhe cercarão com barricadas, e ao redor te sitiarão, e lhe pressionarão por todos os lados.

E derrubarão a ti, e a teus filhos; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada.

João
João (Bíblia Livre) não citado no livro

Detalhes técnicos

Ano 33

Local: O diante de Jerusalém

Data: segunda-feira, 28 de março do ano 33, pela manhã

Método: Continuamos com Lucas

Nota sobre o modo de proceder: Somente Lucas nos transmite essa informação

Mapa de Betânia e Jerusalém
Gráfico de barras segunda-feira

O Messias Jesus e seus discípulos voltam a Jerusalém na manhã seguinte.

Comentários

Em Lucas 19.41-44, o Messias Jesus se aproxima de Jerusalém, contempla a cidade e prorrompe em lágrimas porque sabe que ela não reconheceu a visitação de Deus oferecida na sua pessoa, o que revela uma profunda incompreensão espiritual e uma oportunidade perdida de paz.

Ele anuncia então com precisão o cerco, o assédio e a destruição que os realizarão no ano 70, mostrando que esse juízo não é arbitrário, mas a consequência trágica da rejeição do Messias.

Esta passagem destaca ao mesmo tempo a compaixão do Messias Jesus, que chora sinceramente por aqueles que o rejeitam, e a gravidade da rejeição da revelação divina. Os demais evangelhos não relatam esse episódio no mesmo ponto nem dessa forma: Mateus e Marcos anunciam a destruição do Templo a partir da esplanada, e Mateus contém uma lamentação sobre Jerusalém no capítulo 23, mas somente Lucas situa essa cena no caminho do e descreve as lágrimas de Jesus ao ver a cidade.

É compreensível que o Messias Jesus tenha podido repetir certas palavras em diversas ocasiões, de acordo com o contexto em que falava.

Tudo leva a crer que os doze apóstolos estão presentes, de modo que Judas Iscariotes também ouve o Mestre. Parece difícil conceber que esse apóstolo pudesse enganar assim as pessoas ao seu redor, mas foi exatamente isso que aconteceu. Em tais circunstâncias, como lhe era possível continuar a sua vida?

O Messias Jesus, por sua vez, conhece a natureza dos acontecimentos que estão por vir.

Vários elementos nos evangelhos mostram que o Messias Jesus sabia que a sua morte estava próxima: ele anuncia várias vezes a sua paixão, explicando que “sobe a Jerusalém” para ser entregue, condenado e morto Marcos 10.32-34; descreve em detalhe o que vai lhe acontecer, o que mostra que tem plena consciência disso Lucas 18.31-33; fala da sua “hora” que se aproxima, sobretudo no Evangelho de João, em que diz que chegou a sua hora de passar deste mundo para o Pai João 13.1 e João 12.23-27; prepara os seus discípulos para esse acontecimento explicando que deve sofrer, ser rejeitado e morrer, e depois ressuscitar Marcos 8.31; aceita voluntariamente ir a Jerusalém apesar das advertências e do perigo evidente Lucas 9.51; institui a ceia do Senhor ligando diretamente o seu corpo e o seu sangue a uma morte iminente Lucas 22.19-20. Todas essas indicações convergem para mostrar que o Messias Jesus não ia ao encontro da morte por acaso, mas com pleno conhecimento do que o esperava e por uma decisão voluntária.

No Evangelho de João, a ideia de que o Messias Jesus sabia desde o início que Judas o trairia aparece claramente em João 6.64 e João 6.70-71. Em João 6.64, está escrito que o Messias Jesus sabia “desde o princípio” quais eram os que não criam e “quem o havia de trair”. Depois, em João 6.70-71, o Messias Jesus diz aos Doze: “Não fui eu que vos escolhi, os doze? Contudo, um de vós é um diabo”, e João esclarece imediatamente que falava de Judas. Essas duas passagens mostram que, segundo João, o Messias Jesus tinha conhecimento, desde muito cedo, da futura traição de Judas.

Quanto ao anúncio da futura destruição de Jerusalém, é notável que alguns comentaristas dos evangelhos tenham contestado o caráter profético dessas palavras. Segundo eles, os evangelhos teriam sido redigidos depois dos acontecimentos, o que explicaria a precisão das predições. Essa abordagem crítica baseia-se na ideia de que os textos teriam incorporado fatos históricos já cumpridos, colocando assim em dúvida a sua autenticidade profética.

Esse raciocínio também se encontra no estudo do livro de Daniel, em particular no que diz respeito a Daniel 11.11-35. Enquanto a nossa análise situa a redação desse texto no século VI a.C., alguns pesquisadores propõem uma data bem mais tardia, no século II a.C., após a vinda de Antíoco Epifânio. Essa divergência de interpretação ilustra a dificuldade de determinar a datação exata dos escritos bíblicos.

Em última análise, o texto bíblico conserva uma parte de mistério para aqueles que não aderem à fé. Deus por vezes nele revela acontecimentos futuros, mas essa dimensão profética permanece incompreendida ou contestada por aqueles que não creem nela.